quinta-feira, 12 de junho de 2014

Uma espécie de feitiço




Nas tuas coxas
é que sinto a vida
um rio e uma náiade
o poço e o perigo...
dentro das tuas coxas
um segredo e uma esfinge
uma seta e uma intriga
uma lua pingando leite
uns dedos nativos e indigentes
nessas coxas o desejo arde
corrói os flancos e as ancas
me arranca o suspiro e o narciso
flores e pétalas abertas
núcleo carne e cerne
cálice vinho branco
e a seiva sobrenadante
um gozo e um corpo exangue...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Carta aberta à Cerberus


ainda que fosses Cerberus
guardião do Tártaro
anarquizando a minha carne
(insólita... ) no ardor...
e fosses o cão endiabrado]
bradando ao infinito
o que me consome:
o amor depositado
entre o limite de toda a razão:
irracionalidade ao certo
desse caos e dessa febre
há de se ter "ferozmente"
um sedutor de Eros
seduzindo a sua Vênus.
Eis-me relíquia
à revelia
na morada do tempo.
(tão dedicada a esse amor...]

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

É bom deslizar assim...


é bom deslizar assim:
"pra dentro do teu corpo"
fenda-que-fende-a-lua
entrecortada-no-hirto
dura-haste-do-teu-corpo
é fissura rasgada
frincha-entreaberta-desati
n a d a
(úmida-n' água...)

pelo que roça a testa
no que se faz ereto
onde me perco
onde me abro
feito concha alterada
e a polpa
e o sumo
e o cuspe
transpassa.

é bom deslizar assim...

Posted By Absinto.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dá-me o que me é de direito


[...] dá-me o que me é de direito.

teu corpo em sumo
&
todo o teu líquido
e se fores capaz e justo
o teu denso... o que aglutina
sobre o meu corpo
- plasma lácteo
copo de lírios
em delírios
até que se esgote
e me acabe.
dá-me... dá-me
até o invólucro
o que te cobre -
pelos emaranhados
pêlos nos pêlos
e te darei a noite
te darei o vício
[o infinito que me consome] ...
teu corpo.

Posted By Absinto.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Corpo que arde


Porque tudo me esquenta
e tudo também me arde
numa cintilância ofegante
onde o rastro é a luminescência
dos pelos... dos pelos...
e nesse fluxo constante
nesse mar estonteante
nesse visgo de lesma
onde o sal até me queima]
como num sacrifício da fenda
que se abre, que se deixa tocar
como numa brisa amornada
lançando mão de algum vento
que se sopre, separe o corte,
até o frio misturar-se ao quente
derretendo-me nessa lâmina
que se afia me desafia e me fende.

Posted By Absinto.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Clandestina


parece foz e embocadura
essa paixão de rio adentro
essas águas tempestivas
esse lance de deslize
- peixes & enguias -
é fluxo constante...
é coisa indissolúvel
não passa e não cura
tudo d e s l i z a (...)
é como o fio da navalha
é frio que congela, percorre o
c a l a f r i o
me sobe feito vertigem
desmaios acometidos
ensaio bem tecido
para o segundo ato:
- minha nuca suada
nessa felicidade tão clã
destina...
[tário]
- meu homem.


Posted By Absinto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Esse amor que me deleita


(...) O que se estende pelo meu corpo
feito sol de primavera... aquece gostoso...
amorna as costelas
e me sobe um calafrio pelas coxas
um arrepio de catedral aberta
que te sinto... te pressinto...
e deixo-me vaga... exposta...
e rezo ajoelhada: eu rezo, sim!
até o arder pelas espáduas
e o ranger apertado dos meus dentes
num chiado... num chiado salivado
cerrado pelas minhas pálpebras
num mar de marolas leves, calmas...
s u a d a s.

Posted By Absinto.