sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Te seguindo meio tonta...


Quando Selene mestrua...
no lume ebúrneo do meu corpo
na lanugem que me brilha
pela saliva da sua boca
em que a rota é a linha
num d e s a l i n h o
de sedas, renda e pelos
molhando-me até os joelhos
que se abrem no calor de Helio
emanando de sua boca

e desse calor,
o mormaço
exalando num traço
a rosa toda úmida e alterada
erguendo o púbis acentuado
pela quentura do balanço
e ergo os quadris a altura
e me remexo toda...
até a cintura ficar mole...

E me viro
e me fico à toa
nos teus dedos agora
curvando-se em minhas dunas

e o calor é maior
o inferno é de Dante
num gole, num vinho rascante
derramando nas estrelas
pelas frestas do meu corpo

nesse universo tão grande.

Posted By Absinto.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

DesAtinos


desmancha-me na loucura

em águas de rio solto
quedas d'águas e cascatas
como a nascente
na cabeceira da tua cama

não solte o teu urro agora
retese-me na nuca
na língua que serpenteias
com a Piton envenenada
no arrepio do meu dorso

Sinta...
sinta-me largada
nos suores dos pelos
pelas coxas desnudas
esfregando as almofadas

não, não jorre agora a tua vida
guarde-a mais um pouco
desse copo-de-leite
- planta estarrecida -
de tanto esplendor

agora deixe-me solta
flutuando com os anjos
e esbraveje aos demônios
que o vermelho que me sai
são águas escaldantes
do teu corpo que tanto amo

Absinto.

sábado, 31 de outubro de 2009

Na Ferida


rebolo pelo chão
e faço a lama
na comunhão
de tudo que me adentra
espumo pela boca
todo o gozo
assim tão louca
gritando rouca
pela fresta dolorida
de rendas rasgadas
pelo assovio do vento
que me gela
que me fita
e outro bicho me adentra
o tempo todo
assim, sem trégua

o tempo todo...
o tempo todo...


Absinto.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Como uma onda


ondulo a língua
nos teus pelos
no grelo
no pino
e na lua cheia
rasgada
de seda
e veludo
macio
sombrio
no escuro
faço como as ondas do teu rio
e
rio
e
arrepio
nos teus bicos
lisonjeiros
e
nessa tua carinha de anja
e
de demônia
que pede
repete
e
insiste
na foda
no tronco
na lua
na greta
na curra
de fazer num lampejo
nas madrugas
de janelas escancaradas
no uivo
da garganta
na pele
que goteja
teus suores
misturados aos meus
assim
como uma onda
em silêncio

Posted By Granion.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O homem que eu manipulo


vergo-me em ti
envergando-me nas carícias
que te faço
língua nua no espaço
entre o promíscuo
e o símbolo da tua virilidade
um macho se reflete...
grita
geme e
urra
e expõe a grossura que me
encanta
me extasio na ponta
e nos sulcos derramados
um ácido que me queima
e na língua o desgaste
insuportavelmente saboroso

o homem que eu degusto.


Posted By Absinto.

domingo, 20 de setembro de 2009

A falta que sinto...


e nos pelos elos de suores
quando os dois se fundiram - carne
núcleo, pólen, centro da gruta
e no caule, a seiva escorria
lisa andarilha e escorregadia

- abrindo-me, metendo-me...

com os furores dos bárbaros
pura heresia, fantasia desmedida
que me contorcia e me ascendia
e na umidade rasa expelia
todo o gozo de amor e nostalgia
pelo que fui e ainda sou

tua fêmea, tua flor, teu espanto

boca turva da gosma rouca
nos meus dedos cintilam o seu aroma

cede o feltro da língua
lambe a falta (te sinto tanto...)
e faz de mim a pegada louca
como o grito daquela noite

Posted By Vício e Dor

domingo, 13 de setembro de 2009

PÚBIS


meu púbis é tão manso...

voa em remanso
com os anjos
sobe e desce
l e n t a m e n t e ...
são dos ventos
e penhascos
v e r t i g i n o s a m e n t e ...

apoia-se nos travesseiros
assim...
debruçado

Posted By Murmúrio