sábado, 28 de fevereiro de 2009

Efervescente...


O fogo da carne a consumia...
entre lençóis e flâmulas a possuí-la
na libidinagem mais casta e oferecida
mordendo a fronha amassada em linho...
Dizia ela: Não me toque, apenas insira-me...

By Absinto

De você, nem a sobremesa...


Deixo que eles me tomem e

beberiquem sem medo

Abro-me aos ventos e as marés

antes mesmo dele vir com fome

dou-me aos mais mundanos...

Torno-me aliada a tantas outras peles

Pois dele, o macho que se faz (e não o é)

nada quero, nada me atrai...

Dele, a carne é tão vagabunda

que junta as outras tantas vadias

e o limo, o lodo, o vício da anarquia...

Então dou-me em pratos finos e alfombras

porque sou a mais dama e a mais bandida...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Seiva


Deixe que ela caia lentamente
como fios transparentes...
E que verseje sobre a minha língua
Que se desnude em linhas
e se estique colante e pegajosa
para todo o degustar
da minha boca sobrenadante...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Porta aberta


Ele conhece os meus caminhos mais secretos
o itinerário e a rota em descaminhos
a estrela que desponta por entre as pernas
nos tufos densos do monte etéreo de Vênus
Ele sabe como chegar e como deitar sobre eles
mas não me entrego de uma vez...
Eu rondo... eu lambo os dedos e a sua tez
até que seus suores e salácias me ardam sobre as coxas...
Daí me deito em langores e danço encaixada em sua boca...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ofertório


Busco o gozo fresco do teu corpo
no meu templo aberto e sagrado
velando por ti e ofertando:
minha pele acesa em Vulcano
Quero-te todo; malícias e sanhas
Penetrando-me; possuindo-me os cortes
Em meio às preces e verves
onde torrentes, orações e lanhos
Orvalhos batizam frenesis insanos
Postos gozos, pagãos inocentes.
Onde os améns não suficientes,
gritam pela oblação dos meus dentes
E me entrego lânguida
Sorvendo-te gota-à-gota
extraindo-te todo o leite
Onde o opróbrio é tão somente deleite...
Quando chegamos ao ápice eterno!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Angelical


Ela é linda, ginga pura, fascina
remexe, requebra e
arrepia...

Ela alicia talos e fendas
Enfeitiça... esquenta a lenha
Se empina, se mostra e trepa
Cavalga e esfrega no corte
Vadia, safada e altiva!
Retalha e entalha...
Deixa marcas e rastros de foda
Seu cheiro embriaga... contamina
Nunca dispersa... aglutina
Ordinária, gostosa e cretina!
Entesa machos e fêmeas
Sedenta bebe e entorna
Prazeres... jorra e enleva
Extrai todo o sumo... engole...
Ela é i n c ó g n i t a...
Esfinge e teorema
Química na derme! Pura mistura!
Transmuta na puta e na santa
Misto de pecado e penitência...

Outras águas...


Das águas que me envolvem
escorrem em minha pele
e me demarcam em decalques
Nessas águas que sinto o cheiro
às vezes de amores, outras de ódios
Das águas que o límpido me translúcida
e que te matei tantas sedes em deleites
lambuzei teu corpo e tua semente
Dessas águas que se revoltam e
que se quebram em ondas de Netuno
arrebentam nas pedras que se calam
Faz-me virgem em outras nascentes...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Provando Você...


Mostra-me o sumo da videira
desse corpo que entorna e me perverte
na vontade louca e insana
de lamber-te o gosto saboreando cada gota...
Desfila-me em tesão supremo
no altar-mor do meu corpo aberto
feito mandinga
feito a libido
feito o emblema do rito...
Dessa seiva que se faz ungüento
deitando-se na minha língua-abrigo
todo o afluente em deságüe...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Recado Dado!


Ele pede que eu me dê

me grita no corpo em trilhas

diz que me quer na sua

faz a dança da chuva

Mas sou mais que isso

escolho a caça e a presa

me dou em camas e mesas

desafiando os gozos em derrames

Faço a dança das águas

e me seco nas línguas mundanas...

Pois, de ti, nada me tece

nem a seiva e nem a messe!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sempre me molho...


São águas que escorrem
em minha pele e
em minha derme
são vinhos em cálices
são sais de Netuno
que se tomam em bocas
e em meus seios nus
colam e ardem... suores...
Tudo em mim escorre
tudo em mim desliza
São as línguas que sentem
o meu corpo molhado
das videiras de Baco
É a enchente e o lago
que de mim se apossam e empoçam
nas coxas e nos flancos...
São águas de Nilos
são líquidos de Náiades
onde me tomam em goles
Minha pele que vaza em derrame
encharcando tantas outras
em sorveres degustados...

Entrega...


Marca-me à ferro
e me dê a boca crua
no ranger dos dentes e
no lamber da língua nua...
Prenda-me em enlaces
e chicoteie-me em suas coxas
Que de dores quedo-me
nos prazeres que tu tens
de açoitares em minha carne...
Mostras o macho que domina
e a fêmea que subjuga a tuas sanhas...
Louco corcel que me trota na espora
coroando-me de enxurradas profundas
nas ancas que anunciam
todo o gozo e toda a tara mundana...
Desequilibre-me amor que de prazeres vivo
e te dou o mais majestoso de todos...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Feitiço


Dessa brisa que emana o cio
desse cheiro embriagante
onde me deito e
onde me dou
Me abro em calafrios...
Desse corpo cerzido
a tantos peles pagãs
- Rezo na febre terçã...
nas camas meladas
dissimuladas em linhos
que desalinho na entrega
do meu corpo em pergaminhos
que pelo seu se acoplou -
E de tantas outras vadias,
vagabundas de alcovas
Teu cheiro impregnou
mas no meu; é o feitiço
e o quebranto sem pudor...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Devora-me


Decifra-me em tua boca nua
antes que tua saliva esfíngica
me possuas nos desnudos pêlos
Antes que os pingos transpassem
a minha nuca e as minhas costas
E que me faças tão somente tua...
Decifra-me em tua boca rubra
com os olores dos vícios infames
que abrasam teu corpo em derrame
sobre o meu que arde nas ancas...
Se abanque e me monte
faça do trote teu delírio
descobrindo os segredos do meu cio...
Somente então... Devora-me!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mania de você...


Quero ser o teu santuário
O teu altar de rezas e mantras.
O templo das tuas taras mundanas...
a tua sanha... a tua farra...
na paixão desmedida e insana.
Quero ser os teus anseios profundos
na tua ardência; a mais puta.
Quero ser o teu desejo
sem pejo... safado...
o mais endiabrado!
O teu desequilíbrio,
o desalinho... o desvio...
o teu pecado mais atrevido
a tua tara desenfreada...
a tua libido esfaimada.
O teu orvalho e sereno
das entranhas escorregadias
que te envolvem; dia após dia...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lustra-me...


Lustra o meu dorso
com os teus suores,
com os teus pingares
latentes e cheios...
Lustra-me de desejos,
aqueles mais torpes...
E, quando me tocares,
tece tua língua e embebe
no meu visgo transparente...
Desse gosto; invólocro-me
em tua língua dura e macia...
Gozo em desvario
grito e estremeço...
Faça o jogo da lambança
Me roce
Me enlace
Faça que o meu suspiro
inspire o teu cheiro de macho...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Adaga...


Os bicos ainda doloridos mostravam a vermelhidão. Queria sentir novamente a adaga nua tingindo de escarlate os siamêses. Aqueles pares ingênuos de pirâmides em riste , onde os segredos esvaíam-se nas bocas úmidas de tesão. Queria o cortante, o dilacerado da navalha em rodopios. O brilho do lume certeiro nos mamilos eretos. O alvo. O cetro. O viril estampado nas dunas escorregadias do visgo daquele rodopio de Rodin. Um corte. Um cio. Um ouriço. A dor misturando-se ao prazer daquele rito. A adaga bailando em fios... destilando o frio e o quente... efervescente luxúria. O arrepio. O gemido do êxtase em ecos. O farejar da lâmina em frenesi ainda brotava naqueles bicos... um sangue escorria declamando ao corte toda a volúpia e toda a lascívia dos bicos deslizantes... salivando...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Martírio


Ele chega como bicho esfaimado...



Percorre o meu corpo em vertigens



Explorando cada parte



Me crucifica com a língua



Sorvendo lentamente minhas fissuras...



E, sem dó nem piedade,



Rompe as minhas entranhas



Num frenesi torturante



A fome, é a sua angústia premente



O desespero da gula viciosa!



Me sinto sua presa subjugada



E, saboreada entre preces vãs,



Viro glorioso ofertório



E sacio sua fome pagã...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Nos Dedos...


Rezo nos dedos quando te vejo...
deslizo nos bicos o visgo em fios
que na transparência deixa o lume
do meu gozo brotando em relevo...

Saboreie-me


Meu corpo é vinho e fruta
é o gosto de um pecado sacro
onde me deito em rezas
e consagro em pêlos e coxas
todos os machos e as fêmeas
que de mim se fartam...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

E você é meu...


Agradeço-te por me fazeres tua,
teus langores e tuas manhas...
E de tuas sanhas que em mim fervilham,
e de teus cheiros que me envolvem
Pelo céu que se abre a cada suspiro
e pelo lírio que se abre ao junco...
Pelo meu orgasmo tão bendito
quando sinto que você estremece
junto aos meus lábios entreabertos...
Agradeço-te pelo meu ofegante peito
pelo cheiro e pelo hálito do desejo
quando me abro assim sem pejo
e deixo-me ser somente tua...
Como sempre fui e somente sou
apenas tua... somente tua...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Recado da Santinha


De todos, apenas ele, sabe passear com a língua no meu corpo...

Me faz as trilhas mais saborosas
se enrosca nos pêlos e pentelhos...
Sobe e desliza a bandida lasciva
apetece o meu corpo na lida...
Me deixa com tremores nas pernas
e nas coxas salivadas.
A baba mais assanhada
misturada às salácias...
Parece um felino
parece um gato...
um vira lata
Me deixa no cio, no cimo e no ápice
me arrepia no dorso e nas ancas...
Me lambe como se eu fosse a única
A mais vadia
a mais ardida
a mais safada

PS: Mas, jamais se esqueça, que de todas elas que te encaixam, eu sou a mais santa!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quero te ver sofrer de gozos...


Quero a tua mão afagando coxas,
Seios, rachas e outros bichos
Quero te ver torto e com a língua roxa
Titubear teso, duro e em riste
Roçando muros, esfregando toras
Donde o leite "in natura" jorra
Não somente expele mas também deriva
Entre fantasias, espelhos e imagens cruas
Da libido que te alimenta e te apavora
Porque chego de mansinho e fecho
Todos os diques que te dedico...