terça-feira, 31 de março de 2009

Somos Letras e Fodas


Você me chama
me grita
me lanha
diz que eu sou perdida
e que fico na lida
você que me toca
me enlaça
me provoca
me enfeitiça
me deixa mais louca
- homem da intriga -
Você me quer na tua
na boa
na bronha
mostra a peçonha
da língua lasciva
Você que endoidece
quando mostro a prece
da santa bandida
- rezo e lambo -
- melo e sambo -
sufoco a tua boca...
Sou tua punheta mais linda...
o sabor do seu corpo
a lenha escorrida
o norte
o sul
o talho
o entalho
o decalque
o corte navalhado da tua carne na minha...

Absinto

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sempre tua


Sou bicho fêmea de mato
de esquina e de asfalto
Sou essa coisa sem limite
sou o avesso e o ocaso
sou teu jorro e tua lenha
tua puta e teu dilema
Sou a quenga que tu sonhas
tua potra e tua monta
Sou poeta da tua sanha
faço festa no teu corpo
grafitando teu inferno
no interno das tuas coxas
Sou teu verso e inverso
o reverso da medalha
o teu grito e gozo longo
teu espasmo e teu intento
Sou peçonha e vertigem
tua origem em mim parindo
sou o instinto te consumindo

Absinto

Ele é isso e mais um pouco... (ao meu vadio)


Ele é todo gato
é flora
é fauna
cheira à mato
à relva
à selva
Ele paira na minha cabeça
e fico à toa
na boa
viajando
transcendendo
e curtindo o momento
Ele excita
me alisa
me domina
contamina
me desespero na entrega
Ele finca
atiça
movimenta
mexe bem gostoso
enfia generoso
em todos os meus meios,
vãos e lacunas
me preenche toda por dentro
E fico louca
desvairada
doida
desorientada
querendo-o a todo momento
Ele é festa
arrelia
dança
afoxé
samba
rock paulera
Ele é tudo isso e muito mais...
É o meu Egito sacro
a minha crença herética
minha fé mundana
minha reza
meu Bhagavad-Gita
Ele é o meu
Pecado mais Santo...

Profana

domingo, 29 de março de 2009

Amor mais vadio (ao poeta vagabundo) ...


Sou tantas na pele nua
e sou apenas uma...
a sua na tua derme
a sina que te anlaça
Te dou aconchego
desejos e sanhas
te deito entre minhas pernas
Sou tua orgia sem pejo
a bebida que embriaga
absinto fada verde
a profana mais amada
das tuas tretas e das tuas taras...
E nesse enredo vagabundo
somos dois na aventura
entregues a tantas batalhas
de corpos sedentos aos cantos
e de palavras que tecemos
aquelas que furam a carne...
- homem que me vicia -
- poeta e vagabundo -
Somos entregues a devassidões
a tantas alfombras e camas desarrumadas
e na pena mais dura
saem as letras mais babadas...
- Eu em ti...
- Tu em mim...
versejamos quase nada
pois a foda é o grafite
parindo gozos de madrugada...

Profana

sábado, 28 de março de 2009

Me dá de novo o gostoso...


Ele é a foda bendita
a lida do meu corpo
e a sina...
Ele alucina e alicia
é o tal do macho
que nunca dorme
no ponto...
Chega no enrosco
morde
sacode
e fode gostoso...
Ele é o cio deslavado
o rio
o açude
e a nascente do meu racho
Dele sei bem...
não vale um vintém
mas me quer bem
E eu fico no alvoroço
descabelando o palhaço
beijo molhado
dedos na nuca
fodendo como louca
Ele mela a potranca
de crina morena...
Ele é assim
bandido
atrevido
doído de fodas mundanas...
Ele é sacana
mas me ama
E me acabo na dele
permeio
anseio
festejo
quando me chega
fazendo festa
e me dando carinho...

Profana

Eu e São Jorge


Eu andarei vestida e armada com as armas de Jorge...

Para que meu corpo não tropece no seu
caindo em desfiladeiros sobre tua pele

Para que minha boca não molhe a sua
enquanto prendo a língua no meu céu de inferno...

Para que minhas mãos (atrevidas) se acalmem
e não caiam em tentações de requinte...
- alisaría-te até o limite e pararia num profundo espasmo...

Para que meu corpo (insensato) não instigue e não o enlace
- mostraria o tom escarlate por entre as minhas coxas e o deságue...

Para que daqui à pouco não me arrependa e louca me esvaia
mostrando-me nua e sem armas...


Profana.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mundano


Tu que me fazes amante

e cobres o meu corpo

com teus mantos

Trazes tantos vícios de outros

e faz-me em sacrifício deitado...

Tu que me consomes em deságues

faz-me vadia e mais puta

à tantas orgias e lanhos...

Trazes em ti o unguento

por baixo de rezas e panos

Santo, profano e mundano

traz-me o leite e o sal

desse corpo abismal

e me entrego sem queixumes

Rezo na sua cartilha

mesmo com o odor de outros vadias

pois sabes que do meu é fé

um corpo ateu que te quer...


Profana

Nosso Gozo (haikai)


... senti-me molhada

pelas tuas águas

de enxurradas...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Oração...


Que você abra sulcos,

Fissuras e grandes canyons

Ative vulcões

E fortaleça as lavas

Jorrando despreocupadamente

Causando erupções... feridas n'alma

Na carne nua e exposta

E as dunas que tu tanges,

Tão bem moldadas

Entre finos cortes... à navalhadas

Dominando e martirizando

Os lugares por onde passas

E que a tua pena

Rabisque e derrame

A tinta sem ser imolada...

Absinto.

Aliciantes...


Beba-os em goles
bebericos e tragos
Encha-os de afagos
no chicote da língua
Sorva-os em cima
pelos bicos torrentes...


São pássaros aprendizes
soltos em chuvas
tentando um voo
em bocas e luvas...


Tem gosto e textura
cheirando à terra nua
em Gaia tentada
à bebericá-los e a mordê-los...

Sinta-os em volta como pomos
gosto de frutas escorrem o caldo
são presas e bichos indômitos
São flechas esquentando nortes...

Nas coxas o escorrer se perverte
pois são o esfrega e o rastro inocente
Bichos mansinhos dão-se no ninho
gozam em molhares desejos e arrepios...

Absinto

quarta-feira, 25 de março de 2009

O pecado mais puro...


Gemeu sentindo tudo por dentro. No âmago da coisa. No ápice. No auge. No triângulo desenhado por pêlos bem aparados. No célere monte da Vênus. A estrela de ponta. Brihavam gotículas em pingos dourados sobre toda quela maravilhosa carne em transe. Toda nua e exposta. Sem o hábito. Sem o véu. Apenas o crucifixo adornava os seios bicudos de tanto tesão. Um sacrilégio. Uma blasfêmia. Uma excomunhão. Tentou pensar em preces e rezas, mas de nada adiantou. Elevou seus olhos para o céu. Juntou as mãos numa contrição de fervorosa fé. Esfregou as duas em sentidos opostos - frente e verso. Deslizou todos os dedos em cima do pino duro de tesão e naquele buraco escuro de clausura. Sussurrou palavras desconexas em latim. Se esfregou na indecência mais pura. Abriu todo o corte, alisou-o e fez o resto no escuro mais aberto. O tinhoso e secreto. Aquela injúria. Aquela fúria. Estremeceu num repente e lânguida entregou-se aos panos jogados no chão. A nódoa era o decalque de todo o seu ato solene. Um gozo escorrido de sais em comunhão.

Profana

Profana


Sou o bicho das selvas,
dos matos e das relvas
da carne mais quente
Sou a entrega caliente...
De lírios abertos
da flor mais indecente
vermelha e magenta.
Carne de bicho solto
fêmea de fino faro
sentindo o cio revolto
dos machos por onde passo...
Homens lambendo rastros
dos meus lúbricos fios
paridos dentro de um rio
por entre as minhas coxas em delírios
e sempre lambuzadas...

Profana

terça-feira, 24 de março de 2009

Submissa


Louvo-te de joelhos
um cálice derramado
sobre espaldares
de minhas costas curvadas...
Crava-me em estocadas!
Dedilha-me feito a harpa e
despeja-me em enxurradas...
Vicie-se amor, em minhas dores...
No fundo quente das minhas coxas
o branco leite da via láctea
saboreando-me em cada gota...
É teu plasma grosso em minha sanha
tua vertigem sobre minhas ancas
O meu unguento e a minha peçonha...
Delicie-se amor com gosto...

Vício & Dor

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pintura Íntima


Essa linha que me liga aos meridianos, são intermináveis horizontes beijando as águas dos oceanos. Línguas macias dos beijos-quebrantos de encantos e magias. Orientes no meu corpo trazendo a nostalgia nas omoplatas dos lhamas em que tecia o meu manto. O ar etéreo e vago dos olhos oblíquos da Cleópatra varrendo o Saara por entre os meus dedos, onde Astarte, mais linda e faceira luzia no lume mais belo, e a prata concubina de Selene, a menstruar-me nos pêlos esvaindo-me em gozos cristalinos. Amon e Ísis ascendiam sobre minha pele na intimidade mais bendita ... Amon L'isa em sfumato na minha fêmea e no meu narciso evaporando-se... Deito-me ainda sobre esses horizontes e transporto-me em lonjuras eqüidistantes... e os segredos continuam no âmago da Esfinge. A minha rosa-dos-ventos, tão destemida, indica os nortes sobre todos os consortes dos meus pensamentos... meus ares... minha flor-de-lis enchendo os cântaros de universos tão meus... Mulher vitruviana; aberta na divina proporção... a gênese em exaltação.

By Nefertiti

domingo, 22 de março de 2009

Distante de você...


Me amarias em silêncio
em calmaria do meu corpo
como um lago sereno?
Me beijaria de leve a boca
num sussurro apenas langoroso?
Deixaría-me com o ventre liso
despido de teus dedos afoitos?
Vertente louca que me consome
entranha teus odores todos de longe
Um navio deslizando sobre mares
Vejo-te de longe acenando-me...
Voltarias um dia para completares
tua obra em minha carne úmida?
O teu suor cristalino em pingares
sobre o meu corpo trépido deleite
Um grito obsceno e um estrondo
de todos os bichos ardentes
Um cio disposto e caliente
vociferando todo o derrame...
Parindo teu corpo sobre o meu
pingando e exalando crias
que de nossos corpos somos
uma semente de calmaria...
após o alvoroço extremo
Um cansaço no peito...
um descanso gostoso
uma volta... talvez...

Vício & Dor

sábado, 21 de março de 2009

Na minha boca você cabe...


E peças que eu me dispa
que me torne na pele nua
o adereço do arrepio...
decalque em fios...
Os pelos em vertigem ...
Desço-me entregue
por entre tuas coxas
A saliva sem norte
e sem bússola...
Deito-te em minha língua
faço o aparato da seiva
entornando-te ereto e mais duro
Uma bebida... um alimento
Sugo-te até o último momento
um transe exposto em frenesi
Um langor de mim exangue...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Os meios...


Por entre os dentes

a carne e a cerne

o núcleo e o íntimo...

Por entre os lábios

o banquete escorrente,

o caldo, o sumo e a vertente...

Vício & Dor

quinta-feira, 19 de março de 2009

Tesão


Entorno o pecado por entre as pernas...
O suor mais vagabundo
perfumando o quarto
Esse amor de maré cheia
extravasando todo o meu lago...

Absinto

terça-feira, 17 de março de 2009

O arcanjo


Tinha toda a aparência de um ser mitológico. O corpo era firme e musculoso. A pele queimada pelo sol, olhos e cabelos castanhos, mãos enormes e dedos longos. Suspirei... desci os olhos para o interno das coxas. Gelei... no meu íntimo sabia que ele seria a minha fonte insaciável de desejo. A lembrança daquele dia tórrido permanecia na minha cabeça. Senti um misto de medo, clausura, torpor e timidez... não sei ao certo. Permaneci assim por alguns minutos diante dele. E com apenas uma ordem me aliciou.
- Tire a roupa.
Tirei peça por peça, de maneira nervosa e lenta. Fiquei totalmente nua diante dele. Quis me aproximar para quebrar o gelo mas... em tom bem enfático ordenou-me novamente:
- Fique onde está para que eu a veja bem.
Corei. Num repente, abriu a braguilha da calça e tateou o enorme e monstruoso cacete. Transfigurei... gemi baixinho... Começou a masturbá-lo como se quisesse arrancá-lo e desprendê-lo do corpo. E eu ali, calada e imóvel assistindo a tudo aquilo. Me sentia a verdadeira presa arrebatada. O meu corte latejava descendo desencadeado em cascatas pelas coxas. Queda d'água. Me sentia febril, tensa e desorientada. Nervos aflorados. Aquele homem decididamente castigava-me como um sátiro. Pã demônio. Deleitava-se em meu desnudo corpo frágil. Ele se tocava como a força incontrolável da natureza. Célere. Safado. Ordinário. Prestes à gozar, mandou que exibisse toda a bunda e que abrisse. E de encontro, melou-me todo o corpo. Lambuzou os meus bicos, as minhas coxas, o meu rosto... pincelou toda a minha boca. Pressionou o grosso na minha língua... massageou-a... retirou-se. Passeou pelo meu rasgo e esfregou minhas gêmeas siamesas... avançou. Senti um frio cortante. Parecia uma lâmina retalhando-me. Ao contrário do que imaginei, se infiltrou no meio das dunas... (lentamente), (longamente), (pacientemente), (profundamente)... senti naquele momento todo o jeito meigo daquele bicho. Parecia domesticado. E do rude, fez-se o terno... o doce... ofertei o meu cálice num derrame langoroso e espesso. E ele me desabou num temporal de gozos.

By Murmúrio

Queria te contar...


Quero te contar mil segredos
aqueles que guardo nos
bolsos dos tempos.
De náuseas e desejos.
E te contar também dos ventos
e seus desmandos do norte Bóreas.
Dos meus intrépidos sonhos ou
delírios que chegam povoando a minha mente.
Eles me permeiam frente às estações
e me fazem mais louca.
E, da areia, que escorre por entre os meus dedos
como alucinação no deserto...
E, da chuva, que de pingos, faz-se torrentes
e me refresca e atiça entorpecendo o meu corpo
Despejando frescores e frios, embebendo-me
em tranças transparentes e desatadas...
Mas também vira temporal e desaba
me tomba e faz lama
nos meus cabelos desgrenhados.
E, do barro, escorrente do meu rosto,
fundindo-se com as lágrimas.
De um sal arredio, que transformo em estátuas
e mais um tempo de segredos se instala...
O resguardar da Esfinge que nada decifra
E me calo em odres e ânforas
mais uma vez.

Absinto.

sábado, 14 de março de 2009

E quando você esquentou...


E quando te senti mais quente
um Vulcano na minha pele de Vesta
minhas coxas pingaram em suores...
De ti recebi a lava vermelha
no meu racho entreaberto escarlate...
Me retesei em dores e prazeres
na tua língua de fogo ardente...
Contorci os montes efervescentes
bicos tesos em pássaros de veludo
em revoadas em altos Ícaros
Dunas siamêsas opulentas e redondas
em rebolados de huris em pompas
Recebi-te em lânguidas madeixas de jorros...

By Vício & Dor

sexta-feira, 13 de março de 2009

Ao meu Bedaua


Egito, esse imenso deserto que me envolve e me molha como um Nilo afoito...

Ele é o meu Bedaua. Rústico e forte. É a minha bravura, o meu castigo e a minha vingança. Ele me chama para a reza. No seco e no árido do seu corpo marcado pelo Aton fervoroso. Para orar no tinhoso e na espada que entesa. Desnuda-me do véu e do manto. Ele me mostra como mercadoria diante de outros machos, e revela os meus atributos. Abre o meu corte, passa os dedos morosos e a língua célere acentuando o clitóris. Arreganha as minhas meninas e enfia com força e volúpia a adaga egípcia. Me deflora e me dilacera. Bebe nas minhas tetas, como as cabras do deserto. Morde os meus bicos e sangra... enche as taças de barro com o puro escarlate que goteja e o resquício do leite. O gozo do seu pau monárquico. Oferta aos viajantes, andarilhos sem destino nem descanso. Beduínos ao léu. E eu viro mulher à toa. Disputada por bandidos, escravos, vilões... me adentram com fúria, se deleitam em porres na minha videira mística. Depois de tantos derrames exauridos, me ostentam como a fêmea mais desejada e a mais puta. E ele, o meu Bedaua, já rígido, me vem em peçonha. Como a áspide criada. E como um filho da noite, petulante, ordena que eu me mostre mais delirante. Acato. Pois, sou o pórtico do gozo eterno. Dos fiéis ao relento, sem teto e sem templo. A sua escrava. Ele expõe o grosso cajado e esfrega nos meus lábios, introduz na minha boca, massageia na minha língua... derrama a gosma... mas, eu não sorvo. Cuspo na ogiva roxa. Tripudio em açoites, mordo e sangro. Faço a dança do ventre e oferto à Daniel na cova dos leões. Ele o meu tão amado Bedaua. Eis-me aqui. mortal plena às margens de um Nilo que me excita as entranhas. Que me semeia, consome, poda e colhe. Aquele que entalha e chanfra. Eu... a origem do teu caos... o veneno que te ressuscita... melíflua.

Ópio

E quando te vi, fiquei assim... entregue.


Não desvie o seu olhar de mim
capte-me em seios nus
e o ventre cru...
Veja o reflexo nos ombros
uma insinuante sombra de Hélio
um brilho flamejante e claro...
Entre pela fresta de minhas coxas
nesse par de pássaros afoitos...
Ora se abrem, ora se fecham
como num balé... num adágio...
Sinta o espaldar de minhas costas
uma linha imaginária desce em pêlos
tocando os horizontes e as águas
E nos flancos, a morenice estonteante
que te queima e te abrange...
Não desvie o seu olhar de mim
pois o meu só fita a ti
nesse corpo que presto tantas homenagens...
Suores e salácias, murmúrios e gemidos
pelas mãos lambidas de um Lázaro
tentando fechar essa ferida que me consome...

Absinto

quinta-feira, 12 de março de 2009

Confesso que tentei me conter, mas derramei...


Confesso que pequei...
Em ti desfilei meus pensamentos
os mais devassos
os mais mundanos
Confesso que me toquei
tentei sentir-te em meus dedos
Exalei todo o perfume
e todo o desejo...
Frascos de alquimia em minha pele
Confesso que te sorvi
sentindo o gosto do meu próprio fluído
Tentei disfarçar... dissimular... mas aconteceu...
Me dei em você... me ofereci em tua boca desnuda
senti teus lábios sugando-me no cálice...
Quebrei-me em doses de ti
e ofegante não resisti...
Derramei-me em teu corpo
corrompi-me em prantos...

Vício & Dor

quarta-feira, 11 de março de 2009

Preciso...


Preciso que me caibas
que me moldes em teu corpo
que me insira em tua carne...
Preciso do seu cheiro
do olor tombado e derradeiro
Das coxas que se acentuam
por sobre as minhas...
Que te emoldures em pinturas
sobre os meus pêlos...
Preciso do encharque e dos sentidos
que me depuras em tua boca em desalinho...
Preciso descortinar os teus caminhos
e que me dê todas as chances
de aventurar-me em seu ninho...

By Murmúrio

Êxtases


E do meu corpo que se abre
e das ancas que se erguem
e dos bicos que despontam
aos corcéis e as criaturas...
Um lamber de fina moldura
- tua língua in natura -
na minha silhueta... ebúrnea e nua...
Desses lobos de alcovas
uma alcatéia em desatinos
E desses bichos que incitam
e dos rosnares que instigam
- meus gemidos e meus sussurros -
- Uma tribo ou um índio -
Uma flama acendendo aos ares
nas carnes em quenturas tantas...
O meu fogo se alastra, propagando em tantas bocas...
E da dama, apenas o cruzar das pernas (dissimulada!)
E da puta, apenas o lamber dos lábios ...
mostrando todos os pecados da Madalena impune...
E da santa, apenas as mãos em prece
- Na oração mais terna e pura:
Marca-me na carne em transe todo o pecado e toda luxúria...

Absinto

terça-feira, 10 de março de 2009

Sou do Cu Riscado


"Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada do jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito.
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma.
Por te servir, Deusa Serena
Serena Forma."
(Olavo Bilac)

Não tenho forma,
Não tenho métrica,
Não tenho rima e
Não tenho fórmula.
Uso a pena como açoite e
Com um grande desvelo
E a língua solta como quem lambe
A cria das letras
Rebento de frases
Benditas ou Profanas...
Vou rabiscando na ribanceira
No alto de uma montanha
Num céu sem limites,
Nos nimbos chumbados,
Num colo de um útero e
No cu da Adélia prado...
Rabisco os raios que decaptam Urano,
E a cara de Aristófanes
Com as suas nuvens e as suas rãs...
Dou um trato nos hieróglifos de Champollion
Reescrevo na língua de Camões
Como quem lambe
Uma casquinha de limão.
Depois me acabo com Sade
Implorando que ele me enrabe.
Minha pena flui como quem goza
Invento ejaculações de rimas e prosas...

By Aphrodite se Quiser

segunda-feira, 9 de março de 2009

Às vezes, a outra me chega...


E nas noites silenciosas me encontro
em delírios e suores escorrentes.
Pousa-me as mãos da outra louca
linda, faceira e estonteante dama
Encosta-me nas coxas e me sente...
Dedilha o fremente e longos dedos
na fenda desejosa e suplicante...
Infiltra-me todos os lampejos
de um beijo que não roubei...
de um corpo que não senti...
de um homem que não amei...
Lambo o dorso das mãos
e sinto o gosto das corredeiras gritantes...
Ainda é noite... Silêncio, psiu!

The Cure (Absinto)
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/thecure

Te esperei...


Tento disfarçar essa dor
em folhas caídas e amarelas
das amendoeiras tristonhas
Um sonoro tão imperceptível
que me causa um ardor estremecido
E muda fico e apenas sinto
a sua sombra na janela...
Um lume dourado já me vela
Um sol a esquentar-me os ossos
e os meus olhos derramados de invernos...

By Lacuna Coil (Absinto)
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/lacunacoil

domingo, 8 de março de 2009

Boca Pagã


Bebeste-me como vinho
da taça libertina aberta ao lírio
Pousaste-me como o beija-flor...
Sugando-me o pólen da embriaguês
Nas coxas virgens e sem mácula
Deusa ao relento e sem andor
agora solta... aos ares crepúsculos
na boca da noite astuta... reluta
Um cálice derramado assim escarlate
sentindo na língua o teu aparo...
em que me beijaste em prazer derradeiro
Despetalando-me assim... sem pudor.

Vício & Dor

sábado, 7 de março de 2009

Ela pode...


Dela, se sente o cheiro
como a maresia em quebranto
A Oxun de lisonjeiros encantos...
Um suspiro de corpos nus... um molhar de pêlos...
Dela, mulher amante... loba andarilha...
Ofegante se entrega em noites de lua cheia
aos desejos caprichosos, às manhas e as feras...
em seu corpo de mulher... as vontades que rugem
Dela já se sabe: - seu homem, seu amante e vassalo
- lobo sem alcatéia... vagabo errante...
É corpo largado e jogado aos seus pés...

Olhos Lupinos

sexta-feira, 6 de março de 2009

Você, meu alimento...


Sou a boca que se deita
em tuas coxas febris
No seu falo, sou aprendiz
em mesuras e afagos
Sentindo a corredeira quente
desse leite que me alimenta
Um entornar e um alento
e entre a saliva que degusta
os fios brancos e grossos
são decalques que em mim se apossam
No meu corpo que treme desejoso
me esvaio em tons avermelhados
na minha pele que sente na liquidez um deleite...

Murmúrio

quarta-feira, 4 de março de 2009

Tua Dona


Dou-me em bocas,
em lábios e línguas...
Escorro em cascatas
sou água devassa...
Deixo o meu gosto
entranhar pelos meios
em cima dos machos
tatuo em relevo...
Meus vícios
meus vinhos
minhas malícias
Inebrio os sentidos
em taças e cálices
Sou a sanha da safra
e a embriaguez mais profana
Molho as coxas e deixo secar
dou ao meu dom a nódoa e o rastro
Faço lamber os riscos da carne
que apeteceram outros machos...

Ajoelho-me ao meu senhor...


Vem... vem de língua...

Friccione as minhas ancas
feito as ogivas medievais...

Sinta o latejar em delírios
os sons e os grunhidos

Veja-me através da boca entreaberta...

e s c o r r e n d o ...

Uma baba em fios deleitando-se
calafrios em minhas costas
eriços nos pêlos

Enleve-me por entre os dedos
um toque... um aperto... um deslize...
nas coxas que se agitam em roçares...

e s c o r r e n d o ...

Sou-me água em desvario
rios e mares em línguas de espumas
beijos ardendo em tua boca desnuda...

e s c o r r e n d o ...

Abra bem as tuas coxas e chama-me
sinta o que te molha e o que te prende...

e s c o r r a - s e...

mas não vagueie sobre as ondas
pois bem sabes que sou a única
o prelúdio, a presa e a refém...

i n v a d a - m e ... sem dó nem piedade.

e de cunho e de escriba... marca-me...

Vício & Dor

Ordinários


Ele é feno

é grama fresca

é capim, pêlo e floresta...

É a mistura, é a festa...

É a minha fissura

minha jura secreta...

É o meu sexo escorrente

minha navalha delinquente,

o meu côncavo e o convexo

nos meus anexos...

Safado, vagabo e ordinário

o meu caso sem caso

só no traço rascunhando

os meus meios, os meus cortes e os meus anseios...

Ele é bicho, é mansinho e arredio.

Morde, lambe e se aninha

depois corre pras minhas coxas

e alimenta o seu vício...

Cretino e vadio!

Ele é a minha lambuzeira, a minha lama e se empoça...

E eu rezo ao avesso na oratória ejaculada

quando ele chega entornando em minha boca

mostrando que o que é da gente ninguém mais sente...

By Vício & Dor

domingo, 1 de março de 2009

Pele na pele...


Fosse tua língua o açoite

em todas as coxas, dorsos e ancas

sendo o derrame a sua marca

sobre as nódoas extasiadas... (ainda assim...)

Deito-me nos vestígios

sentindo o cheiro e

lambendo o gosto

da tua pélvis emoldurada

lambuzada nas minhas partes...

Rebolo em contorces

acreditando que do visgo

ainda te reveles a fêmea

que te deu o primeiro orgasmo...


By Murmúrio