sexta-feira, 13 de março de 2009

Ao meu Bedaua


Egito, esse imenso deserto que me envolve e me molha como um Nilo afoito...

Ele é o meu Bedaua. Rústico e forte. É a minha bravura, o meu castigo e a minha vingança. Ele me chama para a reza. No seco e no árido do seu corpo marcado pelo Aton fervoroso. Para orar no tinhoso e na espada que entesa. Desnuda-me do véu e do manto. Ele me mostra como mercadoria diante de outros machos, e revela os meus atributos. Abre o meu corte, passa os dedos morosos e a língua célere acentuando o clitóris. Arreganha as minhas meninas e enfia com força e volúpia a adaga egípcia. Me deflora e me dilacera. Bebe nas minhas tetas, como as cabras do deserto. Morde os meus bicos e sangra... enche as taças de barro com o puro escarlate que goteja e o resquício do leite. O gozo do seu pau monárquico. Oferta aos viajantes, andarilhos sem destino nem descanso. Beduínos ao léu. E eu viro mulher à toa. Disputada por bandidos, escravos, vilões... me adentram com fúria, se deleitam em porres na minha videira mística. Depois de tantos derrames exauridos, me ostentam como a fêmea mais desejada e a mais puta. E ele, o meu Bedaua, já rígido, me vem em peçonha. Como a áspide criada. E como um filho da noite, petulante, ordena que eu me mostre mais delirante. Acato. Pois, sou o pórtico do gozo eterno. Dos fiéis ao relento, sem teto e sem templo. A sua escrava. Ele expõe o grosso cajado e esfrega nos meus lábios, introduz na minha boca, massageia na minha língua... derrama a gosma... mas, eu não sorvo. Cuspo na ogiva roxa. Tripudio em açoites, mordo e sangro. Faço a dança do ventre e oferto à Daniel na cova dos leões. Ele o meu tão amado Bedaua. Eis-me aqui. mortal plena às margens de um Nilo que me excita as entranhas. Que me semeia, consome, poda e colhe. Aquele que entalha e chanfra. Eu... a origem do teu caos... o veneno que te ressuscita... melíflua.

Ópio

8 comentários:

Avassaladora disse...

Uau!
Que tesão louco esse poema provoca!
Sensualidade e provocação!
Desejos a flor da pele...

Adorei esse espaço!


Abraços!

Joyce disse...

tem selinho pra vc! mas ele esta aqui:

http://selosememesdajoyce.blogspot.com

bjos

V disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A.S. disse...

Delicioso texto!!!
As palavras estremecem no escuro onde tudo cresce e ilumina por dentro, se diluem nos cheiros, se molham nos caminhos... pingam ais nas bordas da noite nas margens do Nilo!...


Beijos... e Bom fim de semana!

Tio Rogs disse...

Melhor que esta poesia, só a tua barriguinha! rs
beijos na pelezinha

Anônimo disse...

... ai que vontade...

Seline disse...

Sublime poema em prosa... deliciosamente excitante.
Fervilhante de sensualidade!
Bj

LEO disse...

Q tesao possuir uma fêmea desejada e bem puta!
Materializando a cena é de ficar de p...duro!
Beijosss do Leo!