quinta-feira, 30 de abril de 2009

Menina-Mulher


Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
(Vladimir Nobokov)


Não saberia distinguir
a demência e a insânia
da lucidez profana.
Da menina-mulher
das sapatilhas, das meias
e dos tornozelos...
Do espartilho e dos dedos
na boquinha entreaberta...
Tem cheiro de bebê...
Não saberia me conter
entre os dedos, não só o anel
de saturno, ou do tropel
de cavalos sobre o meu pensamento...
(tocando o meu membro)
Não sei como esfriar a cabeça
se sobre o travesseiro
ainda sinto o seu cheiro
Alfazema, talco, pétalas vermelhas...
mistura infante e lúbrica
gosto de leite... cheiro de lírio branco.
Réu confesso, sei das manhas e artimanhas
desse corpo de malícia...
(rasga-me a carne e o mais que sobrar...)
mesmo que o tempo me doa
na labareda acesa da chama
- me toco feito louco -
serás sempre a minha querida, menina-mulher.

Posted by Absinto.

Clitóris


"Ao delicioso toque do clitóris
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando."

("O amor natural", de Carlos Drummond de Andrade)



Clitóris

Sinto a magia chegar, que sortilégio!

Apenas um toque. Um roçar... roçar...

Meu amuleto da sorte. Meu encantamento.

Direcionas a minha emoção e o meu sentimento.

Roçar... roçar... roçar... roçar...

Que grande! Que majestoso!

Se abre para um grande momento...

Confio em ti, e me deixo levar.

Ocasionas em mim, lapsos de esquecimento...

Que moleque safado, atrevido e soberbo.

Me fascinas, me derrotas. Ruminas no meu pensamento...

Meu segredo mais íntimo, conciliador da minha alma

meu profano desejo.


Posted By Absinto.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Distâncias


Corro nos lábios
com os dedos lentos
o gosto da sua ausência...
Sabor de saudade
de dias e noites
de lanhos e açoites...
Sinto na língua
o sabor do seu corpo
tem cheiro e textura
olores de homem...
Brinco na boca
com os dedos molhados
no vai-vem mais gostoso
de mel e melado...
Faço o contorno da baba
no interno das coxas
prendo os dedilhos por entre o corte
e ainda te grito
no gozo e na saliva mais doce...
E me chega a vertigem
como pássaro afoito
desce em câmara lenta
e voa pra bem longe...

Posted by Vício & Dor

terça-feira, 28 de abril de 2009

Dando gostoso...


Navalha
lança e
punhal
todos os riscos
na carne
e no sal
êxtases entoados
em gritos de sangue
e gozos
Papoulas nuas
vertendo o tesão
amassos risos
e cânticos pagãos
corpos ofertando
gozos no chão...
Me deito e me dobro
te dou mais gostoso
e nem cobro...
Só por trás.

By Absinto

Te tomando


Te recito todas as palavras probidas
no cimo
no vértice e
no cume
da minha língua
Refastelo-me em lambidas
pelo seu corpo nessa lida
de dar-se à toa
e de forma bandida...
(seu cadelo lindo!)!
Perco as rédeas
e perco o chão...
pois você me fascina
e me desconcentra...
Provo na boca dessa bebida
a mais forte
e a mais densa
e que me escorre pela pele
me marcando em decalque
e em nódoa...
Mas quero mais o fetiche
ter você de coxas abertas
para o meu apetite...
Sempre e sempre!

Murmúrio

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O meu tormento...


Mostre a mão
mostre o duro
deslizar em viscos
Mostre os dedos
num molejo
o mais gostoso
que o solfejo sustenido
Mostre o gemido
e o som sem pejo
que entrecorta
o meu em convulsão
Mostre...
se mostre às escondidas
pelo lindo grosso
pelos pêlos encrespados
que me fascinam
Mostre o lírio
o líquido branco
e o solavanco
em que jogo meu corpo
pelas tuas e pelas minhhas mãos...

Vício & Dor

domingo, 26 de abril de 2009

Com ele, é sempre mais gostoso...


E ele me obedeceu como um bom vassalo, escravo e escriba. Não jogou porra no ralo. Pelo contrário. Me deu tudo gostoso, melado, babado e escorrendo. Ele tem esse dom. O dom da malícia, do jogo da peia, do torto raivoso que não titubeia. Afunda no fundo, na beira do corte não faz fricote... esfrega, passa a cabeça, finge que vai mas volta... me deixa acesa. Depois implode a pedreira, destrói com TNT e me dá canseira. Fico mole, lânguida, desfaleço... mas ele, é por demais ressonante. E volta com tudo e mais adiante, me toma, me doma, penetra o grosso, o talo com gosto, o ferro na brasa, o duro atrevido... me fode com raça. Me vira do avesso, feito camiseta passada... me lambe,me sorve, me toma aos goles e ainda faz: GLUB, GLUB... caraca! Fico tensa e endoideço. Peço mais sobremesa, quero comida na mesa... ele, o meu prato principal. O tal que nunca mata a minha fome nem minha sede. Tem um gostinho de quero mais... muito mais... ele que me faz em delírios e desatinos. Me deixa vadia fazendo folia por sobre, sob, no cume, no cimo, no ápice, no pico mais alto da colina... eu danço o frevo, sambo, rebolo, faço amiúde... aparo no corte, me lambuzo, me escorro. Mas não termino, peço mais. Porque ele é o meu lance. A minha noite e o meu dia. Sem intervalo, lacuna, vão... o gozo mais gostoso que desatina... o escorrer delicioso que me vicia.

Murmúrio

Ele é o meu desatino


Ele faz o frio percorrer a minha espinha... meu corpo desalinha, desequilibra, sai do prumo. Fico à deriva e enlouqueço... desatino num fio... estremeço.



Ele é mágico e feiticeiro
lisonjas de espelhos
eterniza todos os momentos
intensos... intentos
juras e bruxarias
mandingas e orgias...
Ele é vadio
traz a lâmina e o corte certeiro
o fio em pingos nos pelos
os suores e os sais
em mares de quebranto
onde as Oxuns sacodem os quadris
mostrando o remelexo
Ele é alquimia
ponta de língua
ponta de faca
risca a navalha
arrisca e nunca falha
ataca e mexe na ferida vermelha (entreaberta)
lambe e cura o corte...
Ele é o mel e o fel
é sangue e marola
circula na veia e me deixa mais torpe...
Bruxo, lobo, índio e vagabundo
todos num só
todos em parafuso
profuso
intruso
Entra no meu reino sem pedir licença
mora e dorme na minha inocência
- e de coxas abertas eu o recebo,
teço o poema mais lindo e o ofereço -
...

Absinto

sábado, 25 de abril de 2009

Aos teus pés


Enlaça-me mais um pouco
até que me doa a carne
até que a minha nesga
se abra em visgos e madeixas
inerte pelas tuas algemas...
Marca-me em manchas roxas
para que teu corpo sobressaia
sobre o meu em relevos...
Te revelo então os meus recônditos
- os mais escuros e os mais úmidos -
E o derrame de cascatas... - águas claras -
Enlaça-me mais um pouco
até que o ar rerefeito se faça
- e eu grito o suspiro mais longo
dentro do teu gozo profundo -

Absinto

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pro meu cachorro


Chamei o meu bicho pra rede
prum balanço gostoso e caliente
pra beijar meu pescoço mais rente
morder minha carne e os bicos displicentes...
Ele, meu vira lata safado,
rolou todo prosa num abano de rabo
mostrou o duro e o grosso assanhado
na tela aberta e de cara lavada... arretado!
Ele faz tudo gostoso...
chama, late, rosna e deita na minha grama
lambe as minhas tetas com gosto e
faz um enrosco pra lá de sacana...
Também pudera, vira lata de
fala molinha
molhadinha
lânguida... -late o pedinte- que gracinha!
me deixa na gama e no leque
querendo a monta na lomba
- É um calor da porra! -
Esse cão sem raça é um safado
vive correndo atrás de muitos rabos
mas acaba e se farta na minha mão
- e eu dou a ração mais quente e molhada -
Sempre pr'esse cão indigente
que se acaba no quente do meu corpo-tesão...
- e eu adoro quando late e me pede mais a ração...

Absinto

quinta-feira, 23 de abril de 2009

É um lance tão nosso...


Vem e me chama na trama
que eu te dou a mais quente
a fenda lisa e a mais ardente
- a lua rainha de São jorge -
na claridade de Selene nua
a que menstrua sobre o teu leite
Vem e me faz a festa e o rasta pé
de cores, santos, anjos e tambores
me chama pra dança e pro teu amasso
me faz a reza e a benzedura
- tua dura essa seiva que me alimenta -
Te mostro a mais devassa
a da folia e a da quizumba
a mais vadia e a mais puta
aquela que tece teu corpo e tua pele
e te esquenta nas noites mais frias...
- teu corpo nu ao relento largado no meu -
esse ateu e réu confesso pelo teu que dou fé...

Profana

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ancuda


Arqueei as ancas
em desatinos
da lomba
mostrei o trote
e a louca potranca
a derme crispada
o espaldar e a reta
a pele vermelha
grama e cipreste
cios e orvalhos
cheiro de mato
Dunas e lábios
sanhas e cansaços
corpos exaustos
exaurindo enlaces
cheiro de feno
teu corpo ao relento
o meu sobreposto
molhado... quieto... escorrendo...

Profana

Sinto o teu cheiro daqui...


Desse teu corpo me inebrio
sinto o cheiro dos suores e do absinto...
esse teu corpo é bandido e
neles todos se acabam
maculam o tom da pele crispada
pintam de vermelho as veias alteradas
Nesse teu corpo o tom é devasso
Uma cantiga longínqua e um amasso
um sussurro e um estremecimento
pois você é o chamado mais intenso...
- nas tuas coxas, todo o céu se abre -
vê-se que inundas toda a claridade
nesses tufos pretos que se emaranham
sobre todos os dedos imaginários...
Uma lua uiva sobre mantos
uma noite grita aos oceanos
uma mulher geme entre lanhos
e você morde fronhas em acalantos...

Vício & Dor

terça-feira, 21 de abril de 2009

Ele é safado, mas eu gosto mesmo assim...


Daí ele veio e chegou
meio que de lado
me olhando enviesado
e olha que nem sou quitanda
Me chamou de fruta
lambuzada
manga
morango e
suco de mangaba
mostrei à ele
que na minha ele se acaba
e ele virou fera
me gritou
me berrou
me chamou de vagaba
Mas tudo bem
ele é assim...
finge que não me quer
mas me atiça
bota lenha
aquece o ferro
e enterra quente
Faz tudo e mais um pouco
Se punheta
se meleca
se toca feito um instrumento
Talvez cuíca
banjo
oboé
fagote ou
trompete
sei lá...
Ele é assim
me quer de qualquer meneira
na dele
na cama
na mesa
mas na hora do gostoso
me diz que aquele tinhoso
é só meu e que me pertence...
Afasta todas as quengas
e diz que na minha
é que ele ama
que se inflama
que se derrama
que se derrete
e que o gozo é mais quente...

Profana

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Crepúsculo


Quero o crepúsculo
e o teu músculo rijo
o sol dormente vermelho
e o teu beijo sobre os meus ombros...
Quero deitar-me em tuas coxas
sentir o suor e a febre mais louca
adormecer nua e lânguida
com você por dentro
e em você degustando...
Feito embalo
feito renda de lua cigana
feito a noite concubina e astuta...
E depois acordar de leve
e sobrevoar pelo teu corpo
um sol já se levanta
assim... meio que de banda
Um quebranto...
um enredo
uma trama...

Absinto

sábado, 18 de abril de 2009

Mânia (palavra grega)


Rasga a minha carne
na lâmina fria
Um ícone altivo
um falo
um Príapo...
Rasga a flor
e todo o mistério
Um cálido desejo
em pétalas abertas...
Rasga, pois, a gárgula
antes que a boca
infame se abra...
a tantas outras
ébrias de luxúrias...
Rasga a minha pele
ebúrnea...
Rasga toda a minha injúria
toda a minha loucura e
mânia...

* Mânia (personificação da loucura)
By Absinto

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Esse amor de foda


Esse amor é gostoso
faz pose de enrosco
Treme na base e
chama pra lomba
Esse amor é de trança
coxas e pernas
mãos e esfregas
línguas no corpo
e melaço no dorso
Esse amor é maluco
faz a quizumba
faz pajelança
e a dança da chuva
E até dizem por aí
que o nosso lance
é peçonha
Coisa de cobra criada
de bicho de mata
e de feras à solta
Esse nosso caso é de orgasmos
de beijos e de sarros
de encostas e morros
É de paixão, violão, e poema
É teorema e lanterna de pirilampos
Somos dois nessa encrenca
somos fodas e lanhos
suores e sais que nos marcam a pele...

Absinto

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Morro de gozo contigo


E esse lance doido
que me inflama e
queima o meu corpo
tece a chama...
E esse gosto de cio
mexendo à fio
sobre o teu corpo
lindo e vadio
E essa jogada e
esse teu dado
de peia e foice
de corte e lenha
de navalha e dorso
Um cheiro de gozo
um gosto de foda
Um lírio e uma prosa...
Me deixo levar
por esse seu rio
rio e gargalho
perdo o tino e
perco o siso
Risco na pele
teu nome em sangue
meu derrame
em veia nua
gozando louca
em carne e lama
Você em mim
meu bicho e
meu homem...

Absinto

terça-feira, 14 de abril de 2009

Angel of Mine


Uma asa me enternece
um pássaro de renda
uma prece...
Um voo de gaivota
um sol em transe
uma gota salgada
no oceano...
Um suspiro de vento
uma brisa intento
soprando-me a tez...
Um toque de dedos
um solo de sax
um solfejo
um zelo
um beijo teu
me aquece...

Eu & Kothbiro

domingo, 12 de abril de 2009

Deusa Profana


Ao relento... entre os ecos das montanhas... o meu nome, Vênus, adocicada pelas artimanhas de Baco. Pelos encantos de Isthar, amada amante... nua em altares flutuantes. Pés pequenos tocando horizontes. Onde os alados seres esvoaçantes galopam sentindo o corpo da deusa. Corpo exuberante e pelos brilhantes como o resplendor do crepúsculo altivo... olhos enviesados como os adivinhos dos desérticos Oásis... Por entre as coxas, desliza um deus fluvial... um deus que refaz as suas entranhas... um deus que declama aos quatro cantos do universo o quanto é gostoso o seu plexo. Pueril e inocente. Malicioso e indecente... ela tece orgasmos... respingos de prazeres nos Silvanos orientais. Homens experientes... deusa pequena e indecente. Aquela que reza na terra dos homens e se deita com todos os anjos... ao léu... a oração que santifica e consola... profanação.

Eu & Kothbiro
(A canção dos meus dias)

sábado, 11 de abril de 2009

Fêmea


Dentro de mim a fera invade
ruge e mostra os dentes
grita na floresta e
geme na boca da noite
Dentro de mim a indomada
na pele acesa e crispada
vermelha, magenta e escarlate
aberta e pronta pro abate...
Mas não me curvo à ela...
Fera, cio, cena, calafrios...
Lambo-lhe o dorso,
aperto-lhe as carnes quentes
estapeio as ancas e
danço num trote largo e obsceno...
Um cálice e um vinho
um silêncio e um chovisco
Um anúncio de chegada
um amante e uma madrugada
Um gozo assim... displicente...
e por um lúbrico fio...

Vício & Dor

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Dissimulada


E nos olhos a maresia
o sal e o soslaio
o bem e o mal
o contorno do lápis
o negrume e o fio...
E no corpo a sensação
de nudez dissimulada
louca e atirada
sonsa e disfarçada
num mar mais atrevido...
Sem siso e safada
colhendo o desejo
sentindo o arrepio
Mostrou o pecado
jogou a libido
cruzou as pernas douradas...
(Os lábios eu molhei
com o gloss da língua...)...

Murmúrio

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Enigma...


E das vezes que a boca nua
astuta noite se abria
feito puta amante e concubina
por entre as línguas e a espinha
Um dorso em pingos escorregadios
um mar revolto em arrepios
e nas dunas abertas o açoite em fios
o mais lúbrico e vadio...
Espaldares ardendo em adágios
um suspiro mais longo
um tremor obsceno
um murmúrio
uma Esfinge...
Dentro de mim
o grito e o berro
o gozo mundano e o ferro
a brasa na carne exposta
num sussuro de Dante
Um recitar de poemas
encaixados nas minhas ancas...
Um inferno estonteante...
Devorando-me...

Absinto

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sedução


Deixe que a lava jorre
queime a pele e molde
na tua pele vermelha
Deixe que o corpo aqueça
te deseje e te suporte
Aço navalha ponta de faca
Sangre... derrame a força
desse teu corpo de Hércules
Me entorne...
me aguente...
me entranhe...
me deleite...
Deixe que as bocas se suguem
e que as línguas se encontrem
E que o céu de sua boca aberta
seja apenas estrelas aqui no meu norte
Me embeba...
me deguste...
me decalque...
me perceba...
Ainda que eu te sejas apenas um enfeite

Vício & Dor

domingo, 5 de abril de 2009

Saciando-me de ti


Quero roçar minhas coxas
na tua barba mal feita
sentir o calor abundante
nessa vontade que me espreita
Deixe que eu te toque de leve
com meus dedos molhados
e até te dê um bocado
do meu visgo safado
Eles bolinam meus versos,
minhas coxas e a minha derme
E talvez você sinta o translúcido e a intriga
sentirá o meu lado mais sujo
de ruas, vielas e esquinas
dando troco, e correndo giras
Deixe que eu te lamba num beijo deflorado
dai você poderá até dizer
que do meu corpo escorrem sais e melados
mas o cheiro por quem exalo
é só pelo teu... sobre o meu transfixado.


Murmúrio

sábado, 4 de abril de 2009

Que Sábado!


Estou estudando e me aperfeiçoando para entrar numa empresa famosa aqui do Rio. Sou esforçada ao extremo, curiosa e teimosa. Não sei se isso é um defeito ou uma virtude, mas o fato é que quando determino e crio metas, ninguém pode comigo. E o que eu fiz então? Fui ao shopping comprar uns três terninhos lindos de morrer! Sim! Pois tenho que me apresentar bem, né? E lá fui eu toda serelepe para o Downtown aqui na Barra que eu gosto muito e parece que estou na sala de casa. Entrei na dita cuja e quem me recebeu foi um vendedor lindo, gato, atencioso, educado coisas e tals. Meu Deus, suei. Escolhi com a ajuda dele (aquela pra lá de deliciosa!). O meu número é 38, mas nos últimos meses, senti a barriguinha, as coxas e o bumbum ficarem redondinhos. Dei uma engordadinha de leve. Fui até o vestiário experimentar os terninhos. Um pêssego, um azul clarinho e um roxinho, cada um mais lindo que o outro. Com um pouquinho de esforço tentei entrar em cada um deles. Pois é, entrou marcando a bunda que ficou mais redonda. Olhei para o espelho, ajeitei, olhei novamente... não podia sair assim, né? Estava muuuuitooo certinho no corpo e logicamente dificultaria os meus movimentos, certo? Errado! Pois é, errado! Foi assim mesmo que o Gabriel (nome de anjo) me interviu quando pedi um número maior. Cá pra nós né? Ele é vendedor e vive de comissões, tinha de elogiar naturalmente, mas foi um elogio que eu fiquei sinceramente sem ar, corada, vermelha, escarlate e encarnada! Ora, ora, ora, o rapaz muito generoso, educado, gentil e cavalheiro dirigiu-se à mim assim: - Esse terno está perfeito em você, gata. Onde está marcando? Tá tão certinho... (putz!). Me olhando por trás e encarando a minha bunda! Daí respondi: - Está marcando sim querido e isso me dificultará nos movimentos, ao qual aquele deus grego respondeu: - Bem, se você quer mesmo um número maior eu vejo pra você. Digo mesmo em alto e bom som para quem quiser ouvir: Pô, o meu cabelo deslizou e caiu do meu coque junto com o palitinho japonês. O meu pé torceu no salto alto da minha sandália, o meu peito arfou de modo que a blusinha social de seda estufou os meninos duros á essa altura! Putz! E daí me volta o Gabriel com o número 40, com um sorriso mais lindo desse mundo me entregando os terninhos. - Brigadinha lindo - respondi atrapalhada. Vesti-os e vi que realmente tanto quanto os outros, me caíram bem, logicamente menos apertados. Me caíram bem sim. Olhei para o espelho e tentei dar um jeitinho no cabelo desgrenhado, ajeitei-os no alto da cabeça, dei uma volta e recoloquei o meu palitinho que devia estar recitando na-myo-ro-guen-guio. Ajeitei a calça jeans, namorei o espelho por alguns minutos e passei o gloss de morango nos lábios. Saí para efetuar o pagamento e me vem ele - Oi gata, vou deixar o meu cartão com você se precisar trocar... atrás escreveu algo... era o número do telefone dele! Minha pressão baixou. Ele olhou bem pra mim e disse baixinho: - Você é muito linda, sabia? me ligue nesse número que eu saio às dez daqui. Pqp!! Hahahaha eu não sabia o que responder. Fiquei meio que muda feito uma planta no vaso, olhei pra ele totalmente sem jeito e respondi: - Tudo bem, se der eu ligo, tá? Pô! Que que isso?! O cara devia ter uns vinte e cinco anos e eu uma balzaquiana de uns trinta e tals! E ainda por cima tocava The Pussycat Dolls! Cara, fala sério! Saí da loja no salto, rebolando a bunda redonda, de coque e com os olhos puxados. Sim os meus olhos são dissimulados demais! Olhei de volta pra ele e ganhei uma piscadinha e os olhares dos amigos.

PS: Agora estou em casa de short, camiseta e cabelos soltos, os olhos estão mais enviesados do que nunca... rindo aqui... vou estudar.

Sonhar com você...


Adoro quando você percebe que nos meus olhos vejo o teu reflexo. Uma translúcida luz radiante e encantadora. Me cega às vezes de tão enternecedora, onde Deus, certamente atua em sua magnífica criação. Um coração que aos pulos te sente mesmo distante... Te quer no aconchego e no beijo mais terno... dos lábios que te sopram para as brisas mornas do infinito e te restaura cansaços ou dores. Das chuvas que invoco para que banhem o seu belísimo corpo que tanto desejo. Apaixonadamente me encontro, sentindo você... seus encantos de homem. Seus cheiros, odores, suores... que vontade de tê-los! Talvez, um dia aconteça o tão sonhado encontro. Que as estrelas sejam tantas a ponto de ofuscarem nossas visões. Que os sóis partilhem em calores fiascos sobre nós... E juntos, poderemos desfrutar de tão grande magia. Esse lance louco que nos domina. Quero sorrir envergonhada, meio que de banda, olhar pra você desajeitada e deixar rolar algumas lágrimas... porque eu sempre te gostei. Sempre te quis bem... E, nessa hora, inscreverei em sua pele, todos os amores que me consomem. Esses que sinto por você. E, nessa hora, beijarei a tua boca, sentirei todo o seu gosto que tanto sonho. O que eu já sinto faz tempo... Você, minha paixão perigosa, misteriosa e doidivanas... A paixão dos meus sonhos. Um homem que me faz pulsar e ver além de horizontes... Te gosto mais do que imagina... e isso é muito mais do que um sonho.

Absinto

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Amor de carne


Você me vem querendo a louca
trazendo a lenha atiçando brasa
mostrando a faca pra minha fenda
pro meu tesão e meu teorema
Você me leva aos teus desejos
os mais ardentes e indecentes
mostrando o ritmo mais caliente
nas minhas ancas os teus dentes...
Rebolo insana querendo a dança
dos teus intentos e pajelança
Fico na trança dos teus pêlos
roçando forte vertendo o leite...
Sou a lida e a sina crua
nas tuas coxas e na tua boca
mostrando sais e salácias nuas
que em cascatas deslizam tuas
Sou-me dama navalhada
na tua dura enfeitiçada
entre minha seiva gotejante
e os pingares do teu leite
e nos rasgares de nossas carnes
inventamos tais retalhos
só pra cerzirmos nossas peles
como se fôssemos mais unguentos...
De mim sei que te quero
de ti soube em revertérios
que me chamaste de amor eterno...

Vício & Dor

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pecado gostoso...



Teu corpo é o meu oásis
um deleite e uma miragem
Uma dádiva consagrada
ao meu tão impuro e maculado
- que te procura na loucura
desse dar-se imcomparável -
Que nesse brilho e nesse lume
dos sais e dos suores - escorrem-me
pelas coxas em esfregas delirantes
derramam-se sobre nós o eterno paraíso
Uma profana profecia me embebendo a cada dia...
Meu gozo sobre ti minha eterna fantasia...

Absinto

Descortinar


Pode ser que eu desalinhe
e deixe fios pelo chão
solte os cabelos
escorregadios e finos
pode ser que eles embarecem
pelos dedos da brisa nua
e que eu me sinta mais na tua
de leve assim flutua...
Sou presa fácil mas talvez não...
pode até ser que eu me rebaixe
mostrando a puta e a mais vadia
e depois de tanta orgia
volte limpa e rezando em refrão...
Sou tudo e tantas mulheres
sou praga e erva daninha
sou anja e Fênix
mas calço as sandálias de Mercúrio
e dou uns giros por aí
em busca de barulho...
Pode ser...
Pode ser que dessa fêmea
apenas sinta o sabor pela tua imaginação...


Absinto

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Comunhão


E se preciso fosse
rasgaria mais o verbo e
conjugaria meu sangue em tua veia.
Faria o ar mais rarefeito
entre tantos beijos por mim doados...
E se fosse do teu agrado,
mostraria a minha fera
aquela quimera que te desacata
um sonho sonhado... um espasmo...
Aquele suspiro mais longo
um orgasmo...
Deito-te em mim a todo momento
para que não fiques ao relento
e que tenhas à mim sempre por perto...
Mostro os seios quando tua fome bate,
alimento os teus anseios antes que o dia se acabe
e que tu pernoites em mim em malícias e
primícias de mais uma entre mil e uma noites...
Açoites...
E que nunca se acabe esse mar de Nilos jorrados
em mim, Náiade, crispando em tua língua molhada
Molha-me... molho-te
somos águas afoitas e palavras alteradas...
Somos o amor de mãos dadas...
Sempre e eternamente...
em Gaia, mãe terra que nos ascende.

Teu cântico