sexta-feira, 31 de julho de 2009

Àquela que me lambe ...


Deixo que a pomba pouse
majestosa e alada
sem pejo ou vergonha

movimentando delicada
fazendo ondas sorrateiras
com os quadris de huris
na língua navalhada

Derramando na Pele Nua ...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Como No Filme


Não me prenda, Josemires,

pois atiro-te na cara

minha chance, coisa rara,

de ficar no teu momento.



Não me tolha, meu garoto,

pois esfrego-te na fuça

minha buça que soluça

por teu beijo mais sedento.



Não me cinja, meu querido,

que te agrido com meu grito

num orgasmo inaudito,

mais que entretenimento.



Não me fuce, seu safado,

não me lamba o melado

com esse jeito enviesado

que imitar às vezes tento.



Não me cubra, Josemires,

que te expulso e te acolho.

Vou olhando no teu olho

num vai-e-vem que é o meu alento.



Não me impeça, seu maldito,

o meu tapa, a minha ira

de demente que delira

quando em ti me arrebento.



Não te assustes, meu menino,

com a força do meu berro

quando te disser que quero

aumentar o movimento.



Não me aperte, meu tesouro,

quero é ser estrangulada,

quero ser arreganhada,

quero ser o teu tormento.



Nunca pare, Josemires,

ou então eu vou por cima,

vou com a minha adrenalina

sem a qual não me alimento.



Não me escute, meu fofinho,

se eu disser que tu me matas,

me flagelas e maltratas,

isso é só o que invento.



Na verdade o que desejo

é teu beijo e a tua espada

dentro de mim enfiada

pra acabar com o meu lamento.



Não me peça, seu manhoso,

pra parar, senão te bato,

te arranho ou te mato

ou te corto o instrumento



pra guardá-lo, Josemires,

dentro de mim, tão sublime,

como vi naquele filme

que roubei do esquecimento.


(ALUIZIO REZENDE, POETA DO RL).

domingo, 26 de julho de 2009

Meu Corpo-Sentido


sei que do meu ventre orvalham
serenos, pingos e gotas
estalactites que me fincam
e me deixam com o frio no dorso

sei também que me arrepio
se sinto um vento por baixo
e as coxas gemem, e os bicos empinam

e essa angústia erótica que me lambe...


Posted By Absinto.

sábado, 25 de julho de 2009

À Esse Vadio ...


Eis que de mim apenas sei...
que fui sua sem realmente o ser
como a folia e o carnaval fora de época
e a teimosia em pensar que um dia te amei.

(Me libertei!)!


Sangro como a ferida da lida
em que me abria à sua língua
uma Píton ensandecida
depositando o veneno e a sina
de ter-me sempre de pernas abertas
e as ogivas das bocas sorridentes

És o inferno

e o demo em forma de gente

o Fobos que me incita

e o riste dos seus dentes

que ainda me cerram na fenda

É cio

é vício

é sanha

e o cânhamo que ainda ostento

pelo torpor que me debilita

sem saída

e sem unguento ...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pra Essa Égua Gostosa ...


Sinto o cio no vento que me sopra
a crina encrespa
quando a potra encosta
empina o rabo
em fios dourados
e trança as pernas
num gostoso bailado

Eu trepo
eu monto
eu sinto as ancas
e o suor escorrido no pelo
que me atiça
que me envolve

resfolego mais grosso
e relincho
bato os cascos
pancada forte
e logo aviso
que o gozo é pra ela.


Posted By Profana.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

E a poesia me jorrou por entre as pernas ...


Alastrou-me ...

e todo o corpo em movimento
copiando espaços em letras
atiradas no dorso e nos pelos
deslizando as bocas sedentas
é todo um mar dentro da fenda
e a sedução é a teia
que tece sobre o corpo - arrebentação
águas e marés violentas
quando se encontram em profusão

e é a poesia mais linda
em cada canal e poros dilatados
pelas palavras que germinam
num espaço lúbrico de sais

e elas escorrem e prendem nos pelos
fazendo-se espumas e beijos
embaralhando os fluídos
acelerando o coração em bordados
pela poesia mais quente
que ele recita ao meu lado

resta-me dizer que o espêsso é o leite
nos flancos à faca
da boca pegajosa
que não disfarça o seu poema
apenas se deita comigo e me adormece na fenda

domingo, 19 de julho de 2009

Eles são anjos ...


Os anjos me flutuam
e marcam a minha pele
com o bater de suas asas

eles rasam e sobrevoam
assim como nos crepúsculos
entre luzes e escuros
situam-se entre o meu ventre &
entre os vãos dos pombos soltos

se orientam pelos pêlos
no caminho do horizonte
onde deliram em asas brancas

na veia do punhal que estanca
no sangue virginal que jorra
salpicando as asas de Hórus

eles são anjos
e despencam sobre o meu corpo
com suas asas
querendo descortinar todo o meu mundo

num sorver de delicados fios translúcidos...


Posted By Absinto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Delírios ...


Até que a língua tocasse o desejo
o ponto em que me inflamo
correndo o risco e o medo
de mostrar na cara o prazer me pôsto

até que os dedos fossem papiros
desenhando no meu corpo de saliva
desvendando o mistério
da flor vermelha se entreabrindo ...

inavitável me abri, mostrei e arreganhei com gosto
deixei-me úmida pelo que me escorria
não menos que a língua
mas a agonia e o frenesi

latejava pela dor
fincada até os ossos
o bicho que me mordia
- de língua e dentes ...
saboreava-me ...
e eu mais ordinária do que nunca
obedecia displicente ao meu corpo

me vi rendida enfim...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Do meu gozo


Trago os pássaros
dentro do corpo
que soltos flutuam
como os colibris
degustando pétalas
de flores rubras
em vãos lacustres
de pombas nuas
onde pingam suores
deleites e sumos
pela boca que lambe
e pelos mãos que alisam
varam as frestas
gemem em cadências
como se os suspiros
desfalecessem o mundo
. . .

Posted By Murmúrio.

domingo, 5 de julho de 2009

Teu Corpo Me Cabe


Teu corpo é vício,
é pó e morfina
quando me dói
de tanto tesão
e a vontade aumenta
e a ferida extermina

Teu corpo é lago
sereno e encrespado
nas pernas em atalho
pras minhas coxas abertas

Teu corpo é rio
e rio do lago
que em mim se faz
empoçando as águas
de um gozo apraz

Posted By Murmúrio.