sábado, 29 de agosto de 2009

Teu gosto na minha boca


e a minha boca-espanto
pelo seu corpo aberto
corpo de cedro e cipreste
gemendo-me em mato
sulfato e zinco
o demo e o limo
anjo serafim - estopim de mim
bicho de seda, fera e rapé

e a minha boca-alegre
feito louca e gritante
eco-corpo-nu - extasiante!
você em mim
um querubim e uma sílfide
rogando deuses em oceanos

entornando ...
derramando ...


Posted By Murmúrio

domingo, 23 de agosto de 2009

TÊNUE ...


Num arfar lento ...

asas revoando
ventos e nortes
mata e relva
sede e riacho

num arfar de adágio ...

pés e mãos
penugem e pelos
ventres e huris
cortes e facas
lírios abertos

num arfar lânguido ...

dois lábios à beira
da boca entreaberta
a gosma e a saliva
em toques delicados
a permanente vontade
e o instinto latente

p u l s a n d o ...

num arfar lento ... adágio ... lânguido ...


Posted By Vício & Dor

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Pedidos"


pedia sorrateira
que o meu hálito passeasse
pela sua nuca em desespero

deitou-se lânguida
mostrou-me as costas
uma clareira de pelos

deixei-me ficar por uns instantes (apenas)
e (até) uns momentos deixei-me calar

pedia... pedia meiga
que a minha língua fosse o acalanto
daquelas ancas escorregadias
pelos suores de pirilampos

ela sempre pedia...

e vi os astros deitados
sobre os vãos de suas coxas
e vi a poesia embriagando-a
como se os lilases
desmaiassem de euforia

eu a recitei
ganhei o céu
e virei monja

. . .


Posted By Murmúrio.

sábado, 15 de agosto de 2009

Ele é especial


Ele chega e acontece

não mede, não pensa e só fode.

Traz no corpo a ginga,

a dança e a intriga

Ele não dá a quem o pede - (me fode?)

ele se mete e se intoca

naquelas que sentem na pele

todo o seu jeito vadio...

Ele nunca deixa na mão

o gosto da tara e do corte

ele implode, se alastra e come

e derrama o que tem de mais quente

"Quando ela abre a porta,

tudo fica mais gostoso..."

Mas, é com ele, só com ele.
(Que eu cedo toda a umidade)...


Posted By Absinto.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

FETICHE


E se te vejo de frente; suo.
Pelo quente que me provocas
em altas temperaturas

e da minha pele brotam
gotículas de sais,
e das minhas coxas vazam
sudoríparas em cio
(aromas de frutas cítricas)
e da minha derme; o vício
de querer a língua no arrepio

Mania de querer coisas furtivas...

E essa vontade nunca sacia

corre o fluxo
fogem as aves (debandadas)
deságua o Nilo
e o fogo se alastra
Hefesto! Vesta sem vestes - vadia!

é o fogo por entre o racho
na pele crispada em eriços
e na flor bem regada
pelo inebriante corpo
que me retratas!

Derramando na pele nua e crua todos os fetiches...

Abandonada


Minha paixão é femêa
traz no corpo a essência
e a umidade das partes
de um lago que transborda
e a sensualidade se alastra
na porta da sua casa
mas você nunca me abre

sou mulher cheia de arrepios
um corpo gritante
e um bicho no cio
mordo, dilacero e injeto
mostro que você é o meu delírio

mas o seu mar nunca me afoga

então, sinto febre
corro riscos
mostro o eco sem o grito

corro pra cama
e me deito de mansinho
e me toco com a alma de Brahms


Posted By Murmúrio.

domingo, 9 de agosto de 2009

Apenas um Bardo


E soprou-me o vento
no templo de Atena
onde os cabelos desgrenhavam-se
pelo etéreo e eólico
num beijo transpassado
pelos lábios de Minerva

e abrimos as coxas
e roçamos os pentelhos
como se quiséssemos
os cortes ao relento
(encharcados de sereno)
aquele vento...
quele sopro...

e nos beijamos novamente
quando o pré gozo anunciava
pelos meus dentes em sua carne
e pelo seu grito de guerra

Posted By Absinto.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Um Mortal Qualquer


Acho que te julguei mal.

Julguei-te na devassidão

Não vi em tuas asas

A falta de terreno tesão

Como as palavras

Voas

E te lavras

Em loas

A anjos enfeitiçados

A homem atormentados

Em desejos endiabrados
(Mortal)



Sempre me fui casta aos homens
devassa apenas na fome
de tê-los ao meu bel-prazer
E nas asas o que me reflete é a febre
nas penas que não mais me cabem
e voo desmedida e sem prece
Mas sou-me anjo inocente
e faço promessas ao demo
querendo algum dia
um macho pra eu conter
e gritá-lo seu nome aos ventos

que me empurrem as asas então...
(Demo)

domingo, 2 de agosto de 2009

Na carne ...


... Na garganta, o visgo prende o grito .

Posted By Absinto.