quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O homem que eu manipulo


vergo-me em ti
envergando-me nas carícias
que te faço
língua nua no espaço
entre o promíscuo
e o símbolo da tua virilidade
um macho se reflete...
grita
geme e
urra
e expõe a grossura que me
encanta
me extasio na ponta
e nos sulcos derramados
um ácido que me queima
e na língua o desgaste
insuportavelmente saboroso

o homem que eu degusto.


Posted By Absinto.

domingo, 20 de setembro de 2009

A falta que sinto...


e nos pelos elos de suores
quando os dois se fundiram - carne
núcleo, pólen, centro da gruta
e no caule, a seiva escorria
lisa andarilha e escorregadia

- abrindo-me, metendo-me...

com os furores dos bárbaros
pura heresia, fantasia desmedida
que me contorcia e me ascendia
e na umidade rasa expelia
todo o gozo de amor e nostalgia
pelo que fui e ainda sou

tua fêmea, tua flor, teu espanto

boca turva da gosma rouca
nos meus dedos cintilam o seu aroma

cede o feltro da língua
lambe a falta (te sinto tanto...)
e faz de mim a pegada louca
como o grito daquela noite

Posted By Vício e Dor

domingo, 13 de setembro de 2009

PÚBIS


meu púbis é tão manso...

voa em remanso
com os anjos
sobe e desce
l e n t a m e n t e ...
são dos ventos
e penhascos
v e r t i g i n o s a m e n t e ...

apoia-se nos travesseiros
assim...
debruçado

Posted By Murmúrio

domingo, 6 de setembro de 2009

Gozando ...


são de vinho
o cálice da sua boca
queda-se a minha língua
num silêncio torpe

os crisântemos
as safiras
e
os pelos
num horizonte
de delícias

quedam-me as coxas
no amasso que me vergas
avermelham-se costas e dorso

e nos montes a curva dos seus dedos
esmagando-me
e eu gemo
e te mordo

Posted By Absinto.