terça-feira, 24 de novembro de 2009

Poesia Viscosa


... Translúcida gosma
aflita no dorso
pelo encaixe lacustre
do teu corpo no meu
dois em um
num único espasmo
num único orgasmo
de pele
de pelos
e
pentelhos
onde o arrepio
fez-se eco
pelos poros abertos
narinas
bocas secas
fios lúbricos
e nos meios
o
gloss escarlate
na dormência em segredos

Posted By Murmúrio

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Te seguindo meio tonta...


Quando Selene mestrua...
no lume ebúrneo do meu corpo
na lanugem que me brilha
pela saliva da sua boca
em que a rota é a linha
num d e s a l i n h o
de sedas, renda e pelos
molhando-me até os joelhos
que se abrem no calor de Helio
emanando de sua boca

e desse calor,
o mormaço
exalando num traço
a rosa toda úmida e alterada
erguendo o púbis acentuado
pela quentura do balanço
e ergo os quadris a altura
e me remexo toda...
até a cintura ficar mole...

E me viro
e me fico à toa
nos teus dedos agora
curvando-se em minhas dunas

e o calor é maior
o inferno é de Dante
num gole, num vinho rascante
derramando nas estrelas
pelas frestas do meu corpo

nesse universo tão grande.

Posted By Absinto.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

DesAtinos


desmancha-me na loucura

em águas de rio solto
quedas d'águas e cascatas
como a nascente
na cabeceira da tua cama

não solte o teu urro agora
retese-me na nuca
na língua que serpenteias
com a Piton envenenada
no arrepio do meu dorso

Sinta...
sinta-me largada
nos suores dos pelos
pelas coxas desnudas
esfregando as almofadas

não, não jorre agora a tua vida
guarde-a mais um pouco
desse copo-de-leite
- planta estarrecida -
de tanto esplendor

agora deixe-me solta
flutuando com os anjos
e esbraveje aos demônios
que o vermelho que me sai
são águas escaldantes
do teu corpo que tanto amo

Absinto.