quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pura...


Abro-me ardentemante em pelo
e respiro pelos poros sem pejo
toda a devassidão que me cobre
- mulher de ondas e mares -
Iara de rios e de águas...
sempre molhada...
De arrepios e frios
percorrendo leitos e lírios
até o cheiro a deriva
destacar-lhe o pólen
- flor aberta, itinerante vadia...
lida, sina, trajetória de gozos...
Iguaria de lesmas... translucidez profunda
definição de vertigem - a mais vagabunda
De-no-mi-no-me - Pura! (...)


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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Acordes sem fins


... Durma tranquila, sonhe
enxergue o teu Eros,
a flecha que pinga juras de amor
(esse arcanjo cor-de-rosa...)
um amor que recorta,
um veneno que pinga
que desse corpo nascem os trigos
largados aos ventos
eriço de pelos, pentelhos...
essa tormenta dormente,
sonhe com ele, esse amor delinquente...

Pois,

A hárpia já chia
e a harpa, nesse som melodioso e sutil
aflige ao mesmo tempo que encanta

Durma...
Sonhe...
e jamais acorde.

[tequila, suor e jasmim...].


Posted By Absinto.

sábado, 23 de outubro de 2010

Anjos/Homens


Deixo-me beber pelos anjos
com aquelas asas branquinhas de pureza-nata
mas num gole só (me) extravasam
tudo que sinto pelos homens

Posted By Absinto.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

... Que tu tenhas tudo de mim...


o lírio viçoso
o colibri que paira...
o anjo de asas nuas
o demo tsuru
as vestes arrancadas pelos ventos
pelo tato do tempo
pela haste toda dura
pelo líquido que desnorteia
feito papoulas saboreadas
pelo mirto
pela vara
pela verve
pelos lábios entreabertos
e que me tenhas...
e que me tomes...
até a chegada da aurora lânguida
feito preguiça viciosa
querendo deleitar-se
pelos troncos mais grossos
e pelo meu corpo
ejacular toda a luxúria
nessa vênia absoluta
de paixão
e
de loucura.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Preciso desse ácido


até que me corroa os trópicos
os rins, a cauda, o lácio, a liz
e que na boca a calda abunde
entre o poente no horizonte
(gaivotas raspando águas...)
na queda das pálpebras
na fenda das pernas
onde um sol esmaeça
e a linha aconteça
translúcida em lesmas
e o suspiro seja delicado
no morder dos lábios
e no descer das gotículas de sangue
como um mênstruo de amor-tsuru
e os pulmões aguentem o grito
ante o que se regojiza

esse expelido
num fuso maior

meu gemido
escorregadio
debruçado
exaurido.

Posted By Absinto.

sábado, 24 de julho de 2010

Prece


Crucifica-me:

até a exaustão que se perde
pelos braços que me apertam
pelas coxas que me circundam
e
pela língua que me lambe...

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sábado, 5 de junho de 2010

Delicatessen:


tinha no corpo a pluma macia
feito asas de anjos
o olhar... de intriga
o gosto da boca era manjar
e os dentes... mordiam
doíam? rasgavam...

e a presa era a carne mais dura
tipo vermelha, em cume, em cimo,
e sentava em cima...

cavalgava... e mordia.
[rebolava]... re-bo-la-va...

Re-------bo--------la--------va...

O corpo era perfume
parecia jasmim
num olor do pretume
extraído em viscos...

e do bicho era o inferno
o portal de Hefestos
vertendo na pira... pic...(a)

e depois da dança
delicada e leve
eis o impulso da delicatessen:
Gomas translúcidas
feito doce de festa

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Desejos (...)


Ergueu o corpo num espasmo de coxas
onde os colibris brincavam infantes
e sobre os bicos, a valsa, a onda,
que crepitavam em espantos
onde mordiam-se os dentes,
mármores e carraras
(toda gárgula é safada)
e num gemido mudo
e num morder de lábios
eis que a gota acelerava-se (vadia)
num épico desejo de romper
a carne, o néctar, a úvula inchada.

Posted By Absinto.

domingo, 18 de abril de 2010

Tem um bicho que me morde


e eu me parto
r e p a r t o
me divido
na fruta boa
fresca no corte
na carne crua
polpa carnuda
até os dentes
cravarem nela
escorrer o sumo
na lua que menstrua
quando me vens
feito bicho que morde
me explode o ventre
e me curvo o dorso
querendo o crispar
pelas costas
de toda a eletricidade
na jugular
por onde sinto
o tremor do gozo
quando respiro
teu cheiro de homem
teu hálito de bicho
tua cisma
cataclisma
de jorro
quando as duas partes
se juntam...

Posted By Absinto.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Úmida & suada...


rasga gostoso, vai...
até o êxtase no escuro
morder as paredes desesperadas
enquanto me deito aberta
esperando o rugir do mundo
entre os dentes e a faca acesa
desse tua força que me fere
e sangro o vermelho - enguia
que eletrizante me deixa o grelo
raspa tuas unhas
até que eu me morra aos poucos
na mordedura dos lábios roxos
sem fôlego algum
rarefeita de mim
entre linguadas e suores
dentre as coxas e os vãos
que vão na pegada louca
desse teu corpo de homem
e o meu cheiro esguichando o doce
o espumante que te consome

Posted By Absinto.

terça-feira, 16 de março de 2010

Mesmo sem você... eu ardo.


Eu gozo mesmo sem você
não abrevio
intensifico o meu prazer
essa coisa de céu
num inferno quente
de estrelas cadentes
e lascivo querer...

Eu gozo
como transbordo
num lago
descendo a canoa
pernas abaixo
ventre molhado
e me jogo de peito
tetas afogueadas
num orgasmo efebo e infantil...

Eu me dou delicada
nos dedos pingados
na boca rachada
da febre que me sufoca

Quente...

determinada
a sentir mais uma vez o céu...
e o inferno viril
supremo diabo
que me pega de jeito
toda avermelhada...

Eu gozo...
eu ardo...
com você.

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quinta-feira, 4 de março de 2010

Dá-se todo em minha boca


Cala a minha sede no teu falo
com as gotas que precedem
teu líquido desvairado
sobre a minha língua aparadora
desses teus trejeitos...
- empinando o ventre,
a pica, o pau e a peia
Dá-me sedutoramente!

Posted By Absinto.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Bem Safada...


... E tudo me pulsa, e tudo me lambe, e tudo me come...


Dou-me em andores
pros santos e pecadores
reféns da minha lua
onde orvalhos se esticam
por cima da minha pele
em caminhos de lesmas
de gozos e serpentes
de pedras e espumas
Nos dentes que me cravam
o crivo e o cravo
de terem-me e saborearem-me...

Banquete explícito
de carne, ancas e líquidos
de beijos e marés
ciclones e tormentas
címbalos e Gregórios
nas línguas dos poetas
na sua, na dele e na de quem vier...

Escorregando na pele nua...


Posted By Absinto.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

In Naturalibus


... e o peixe que me nada nessa chuva fina
desliza sobre as coxas procurando abrigo...

sem eixo, sem pouso, sem nada
só o visgo transparente é que me alucina
na febre que racha e contamina
no corpo largado de águas cristalinas

... o peixe no umbigo...
nadando feito cobra-d'água
e se perde, e me perco
e se afunda, e me afundo
nas águas da chuva sentindo o arrepio
e me abro devagar
pouco a pouco
sentindo na garganta o grito preso
pelo ar que me falta
e pelo cimbalo que retine

nas pedras e nos musgos
minha boca aberta que recebe
ao som de trovoadas, e em tempo breve
como um orgasmo de sede

engulo o peixe que me nada
rio acima, gota d'água que me escorre
sais e salinas
água salgada, maresia de fêmea
que me transpasse eflúvios n'alma
nesse espírito de Vênus nua...

Bacante? Santa de marfim e asas esvoaçantes.

Posted By Absinto.