segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

In Naturalibus


... e o peixe que me nada nessa chuva fina
desliza sobre as coxas procurando abrigo...

sem eixo, sem pouso, sem nada
só o visgo transparente é que me alucina
na febre que racha e contamina
no corpo largado de águas cristalinas

... o peixe no umbigo...
nadando feito cobra-d'água
e se perde, e me perco
e se afunda, e me afundo
nas águas da chuva sentindo o arrepio
e me abro devagar
pouco a pouco
sentindo na garganta o grito preso
pelo ar que me falta
e pelo cimbalo que retine

nas pedras e nos musgos
minha boca aberta que recebe
ao som de trovoadas, e em tempo breve
como um orgasmo de sede

engulo o peixe que me nada
rio acima, gota d'água que me escorre
sais e salinas
água salgada, maresia de fêmea
que me transpasse eflúvios n'alma
nesse espírito de Vênus nua...

Bacante? Santa de marfim e asas esvoaçantes.

Posted By Absinto.