segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

In Naturalibus


... e o peixe que me nada nessa chuva fina
desliza sobre as coxas procurando abrigo...

sem eixo, sem pouso, sem nada
só o visgo transparente é que me alucina
na febre que racha e contamina
no corpo largado de águas cristalinas

... o peixe no umbigo...
nadando feito cobra-d'água
e se perde, e me perco
e se afunda, e me afundo
nas águas da chuva sentindo o arrepio
e me abro devagar
pouco a pouco
sentindo na garganta o grito preso
pelo ar que me falta
e pelo cimbalo que retine

nas pedras e nos musgos
minha boca aberta que recebe
ao som de trovoadas, e em tempo breve
como um orgasmo de sede

engulo o peixe que me nada
rio acima, gota d'água que me escorre
sais e salinas
água salgada, maresia de fêmea
que me transpasse eflúvios n'alma
nesse espírito de Vênus nua...

Bacante? Santa de marfim e asas esvoaçantes.

Posted By Absinto.

9 comentários:

pontorouge disse...

Como sempre, lindo texto!

beijo rouge

Dani

Jaque disse...

Estava aqui lendo e prendendo a respiração. Muito bom =)



Beijos,
Jaque.

Nina... disse...

Lindo texto hein!

Aproveitando, venha conhecer o meu blog, Dama na Mesa. Sexo e muito mais... Espero que goste!

Beijos,
Nina

A.S. disse...

Há um peixe obesceno sulcando os regatos do teu corpo, onde nada vive além do desejo e do prazer!
Ah!... prodigioso animal de água que bebes as delicias na corrente que impele todos os delirios!...

Beijo-te!
AL

Giane disse...

Santa ou Bacante?

Nem uma, nem outra.
As duas.
E acima de tudo, um Ser que Ama.

Beijos mil!!!

Eric Costa e Silva disse...

A Ditadura Politica das ações em defesa da Nação e seu Povo é bem melhor que a ditadura pustemia do corpo.saudações socialistas

Polly disse...

Texto lindo demais..Sempre olhei os textos eróticos com desdém, mas depois de ler alguns seus estou reavaliando meu olhar. Mesmo assim, continuo achando que muita gente confunde as coisas, escrevendo imoralidades com palavras que nada têm de poético.

Lou Witt disse...

Nossaaaaaaa, fiquei sem ar!!!

c.a.r.l.u.s. disse...

maravilhso poema

excitante demais!

amei