quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Esse amor que me deleita


(...) O que se estende pelo meu corpo
feito sol de primavera... aquece gostoso...
amorna as costelas
e me sobe um calafrio pelas coxas
um arrepio de catedral aberta
que te sinto... te pressinto...
e deixo-me vaga... exposta...
e rezo ajoelhada: eu rezo, sim!
até o arder pelas espáduas
e o ranger apertado dos meus dentes
num chiado... num chiado salivado
cerrado pelas minhas pálpebras
num mar de marolas leves, calmas...
s u a d a s.

Posted By Absinto.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ao meu cavalheiro


São as tuas coxas
no cinzel dos meus dedos
dedilhando cada parte e cada centímetro
resvalando tua virilha
e
d e s c e n d o ...
nessa vara de mirto
nessa clave mais forte
E o veio que se distende
retine no sino
soa libertinagem
E a língua já se estende
justaposta a tua rota
lambe delicada...
a linha das suas costas
e desce...
e
fixa-se vadia
e
se roça
até o desfalecimento
como uma doçura de gozo
adaga mais louca
me
a p e t e c e...


Posted By Absinto.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Porque é preciso me rasgar por dentro...


pois sou ardor e chama latente
fogo, pira acesa, tocha de vulcano
arrepio de dorso, eriço de pele

(...) tenho pressa de romance
tenho fome de gente...

Sou torta... mas é no avesso que
me encontro
por dentro...
ora reta, parecendo santa,
com o oceano no ventre
no genuflexório das ondas
com as gaivotas latentes
sobrevoando-me...

s o b r e v o a n d o - ando-me-doando-me...

e é nessa ardência tão funda
que me flagro em febre alta
e tecida a umidade se reflete...
feito as algas transparentes

Porque é preciso me rasgar por dentro...


Posted By Absinto.