quarta-feira, 11 de maio de 2011

Corpo que arde


Porque tudo me esquenta
e tudo também me arde
numa cintilância ofegante
onde o rastro é a luminescência
dos pelos... dos pelos...
e nesse fluxo constante
nesse mar estonteante
nesse visgo de lesma
onde o sal até me queima]
como num sacrifício da fenda
que se abre, que se deixa tocar
como numa brisa amornada
lançando mão de algum vento
que se sopre, separe o corte,
até o frio misturar-se ao quente
derretendo-me nessa lâmina
que se afia me desafia e me fende.

Posted By Absinto.